quarta-feira, 15 de maio de 2013

Geopolítica - Os Blocos Econômicos


Geopolítica: os Blocos Econômicos

O fim da Guerra Fria, determinada em 1991 pelo fim da URSS, trouxe o fim da bipolarização do pós-guerra. Uma nova reestruturação do poder internacional se iniciava, caracterizando-se pelo fim das disputas ideológicas e pelo fortalecimento de uma nova forma de guerra: a comercial. A multipolaridade, expressa no surgimento de grandes blocos regionais, passa a ser uma característica da "nova ordem" que se impõe hoje às relações internacionais. Compare o PIB dos 3 maiores blocos econômicos, que, juntos, são responsáveis por 84% dos investimentos mundiais:
A função mais importante dos blocos econômicos é inibir, ou pelo menos diminuir, as conseqüências das crises cíclicas do capitalismo, independentemente dos negócios mantidos com países de fora desses blocos. Segundo o economista russo Nicolai Kondratieff, o capitalismo sempre se caracterizou por "flutuações cíclicas" que colocam em seqüência de uma grande expansão econômica (prosperidade), uma retração econômica (recessão). Com duração que varia de 40 a 60 anos entre eles, os ciclos de Kondratieff, como ficaram conhecidos, possuem, após a prosperidade, uma grande recessão que culmina com a crise. Para tentar escapar dos efeitos catastróficos dessas recessões, alguns países formam blocos de ajuda mútua para poderem ter a circulação mínima de mercadorias capaz de gerar o lucro fundamental para o sistema.
Devido ao crescimento monstruoso que o capital sofreu durante esses anos de desenvolvimento capitalista, o capital assume o caráter de grandes grupos transnacionais que superam facilmente as fronteiras físicas dos países onde atuam, gerando uma grande interdependência entre vários grupos financeiros. Assim, muitas vezes, os Estados Nacionais ficam presos aos interesses desses grandes grupos financeiros, o que dá sentido ao processo de "globalização" a que estamos assistindo hoje no mundo todo.
Assim, essa formação de blocos econômicos, mais ou menos centralizados, é a resposta para os desafios atuais propostos pelo desenvolvimento capitalista.
1. A União Européia
A U.E. é uma evolução natural do Mercado Comum Europeu (MCE), que norteou toda a organização européia no pós-guerra. Surge em 1993, em Maastricht-Holanda, quando se rediscute o papel da Europa diante do fim da URSS e a ascensão do Japão como segunda força capitalista. A U.E. forma um megabloco abrangendo países antigamente neutros como a Suécia e a Áustria. Partindo de uma unificação de mercados e do fim das barreiras alfandegárias e fiscais, a U.E. progressivamente aprofundará essa união econômica até a integração total, com uma só moeda. Enfim, os Estados Unidos da Europa esperam reencontrar a posição de hegemonia mundial perdida após a II Guerra. Alguns obstáculos ainda resistem à unificação. Um deles é o fato de a moeda única acabar com as moedas nacionais de muita tradição (libra, franco, marco). Outro é a questão de muitos não aceitarem o comando alemão dessa organização (dada a superioridade econômica desse país perante os outros). O xenofobismo é ainda outro obstáculo às migrações internas que serão inevitáveis.
2. O NAFTA
(North American Free Trade Association)

Constituído pelos EUA, México e Canadá, conta hoje com o maior PIB entre os 3 grandes blocos econômicos. Com um mercado interno com cerca de 370 milhões de pessoas, foi a forma norte-americana de tentar ter o alcance comercial próximo ao dos concorrentes europeus e asiáticos. Notadamente, os países periféricos latino-americanos pouco ou nenhum peso têm nas decisões desse grupo, mas continuam sendo importantes fornecedores e consumidores deste bloco geoeconômico. Por outro lado, George Bush deixou bem claro que este bloco não seria norte-americano, mas americano, abrindo caminho para que latino-americanos como Brasil, Chile e Argentina busquem essa integração.
3. A Bacia do Pacífico
Na década de 70, o Japão já mostrava sinais de que chegaria a ser uma grande potência pois seu PIB já se aproximava do da URSS, então segunda potência mundial. Nos anos 80 o Japão já era a segunda maior potência econômica, sendo responsável por 37% dos empréstimos internacionais. Com o fim da URSS, o Japão passa a disputar diretamente com os EUA o mercado internacional. Com os NIC's (também conhecidos como tigres asiáticos), novos tigres e China, o Japão passa a unir seus grandes capitais disponíveis e sua tecnologia de ponta à matéria-prima e mão-de-obra baratas e abundantes. O resultado seria a formação de um bloco que possui alcance comercial para disputar mercado no mundo todo. Hoje, integram-se a esse megabloco econômico os NIC's (Coréia, Cingapura, Formosa e Hong-Kong), os "novos tigres" (Tailândia, Indonésia e Filipinas), a China e, nos últimos anos, a Austrália e a Nova Zelândia. Dos megablocos econômicos, este é o de menor centralização e organização burocrática.
Outros blocos e uniões de países surgem ou ressurgem na tentativa de levar seus membros a uma maior participação na economia mundial, mas acabam sempre sendo atrelados a esses três maiores, como é o caso do Mercosul.

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